quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Representação do Nu no Renascimento

Olá! A pedido de uma leitora de nosso blog, trago, aqui, uma coletânea de fotos, procurando representar os expoentes na pintura/escultura renascentista, precursores na arte de desnudamento artístico. Há de se levar em conta que estes artistas promoveram uma guinada subjetiva na arte e na forma como as pessoas começaram a encarar tanto a arte como a sociedade. Daí atribui-se o nome "Renascimento" a esse período das Belas Artes, não somente pelo resgate da cultura greco-romana, mas também pelo fato de haver uma "renascença" do inconsciente e das atitudes das pessoas.

"Venus Adormecida" (Vênus de Dresden), Giorgione, 1510. O primeiro nu feminino deitado como tema artístico foi deste veneziano, um pintor renascentista sobre o qual pouco se sabe.
O nu teve, especialmente desde o Renascimento, um marcado sentido iconográfico, pois, talvez por pudor, o artista buscou frequentemente uma desculpa temática para poder representar nus, outorgando-lhes um significado geralmente relacionado à mitologia greco-romana e, às vezes, com a religião. Até o século XIX praticamente não há nus “ao natural”, despojados de tudo simbolismo, nus que somente reflitam a esteticidade intrínseca do corpo humano. As fontes iconográficas para estas representações encontram-se nos textos dos autores clássicos greco-romanos (Homero, Tito Lívio, Ovídio), para a mitologia, e na Bíblia (Antigo e Novo Testamento) para a religião. Muitos artistas estavam em dia das diversas temáticas mitológicas ou religiosas, assim como da obra de outros autores, por meio de gravuras e xilografias que circulavam por toda Europa, sobretudo desde o século XVI — poucos eram os artistas realmente eruditos e que podiam extrair informação diretamente das fontes clássicas, como Rubens, que sabia latim e vários idiomas europeus —. Com o tempo, foi forjado um corpus iconográfico que recolhia os principais mitos, lendas, passagens sagrados e relatos históricos, com obras como A lenda dourada de Jacopo da Varazze (século XIII), sobre vidas dos santos e de Jesus Cristo e a Virgem, ou a genealogia dos deuses pagãos de Boccacio (1360-1370), sobre mitologia grega e romana.

"Davi", de Michelangelo (1501-1504). Segundo alguns críticos de arte, esta escultura é considerada o único nu masculino perfeito. Ele representa, principalmente na região das mãos e dos pés, toda a rusticidade do homem. A estátua encontra-se em exposição permanente na Galleria dell'Accademmia, em Florença (Itália).
"Venus", por Eugène-Emmanuel Amaury-Duval.
Segundo conta a lenda, Vênus, deusa do amor, nasceu dos genitais do deus Urano, cortados pelo seu filho Crono e depois arrojados ao mar: “quando Cronos acabou de cortar os genitais com o aço, lançou-os imediatamente às águas agitadas. O membro deste poderoso deus ficou aboiando e no seu redor surgiu uma espuma branca e resplandecente da qual nasceu uma garota” (Hesíodo, Teogonia. p. 188-202 apud Rinck, 2009, p. 334).

"Cárites". Rafael Sanzio, 1504.
Na mitologia grega, as Cárites ou Graças (Gratiae em latim) eram as deusas do encanto, a beleza, a natureza, a criatividade humana e a fertilidade. Eram três irmãs: Aglaia (Beleza), Eufrosina (Júbilo) e Talia (Festividade). Moravam no Olimpo e, junto às musas, faziam parte do séquito de Apolo.

"Paris", por Anton Raphael Mengs. Ermitage, São Petersburgo (1754)
Paris era o filho menor do rei de Troia e foi eleito para dirimir a disputa entre as deusas Atena, Hera e Afrodite, enfrentadas sobre qual das três era a mais bela. Paris escolheu Afrodite, e a sua recompensa foi o amor de Helena, esposa do rei de Esparta, cujo rapto provocou a Guerra de Troia. Entre os autores clássicos que trataram este tema se encontram Homero (Ilíada) e Ovídio (As metamorfoses).

"Leda", por Leonardo Da Vinci. Galeria Borgese, Roma, 1504-1506.
"Leda". Esculpida em mármore por Auguste Clésinger. Museu da Picardia, 1864.
Leda era uma princesa etólia que foi seduzida por Zeus em forma de cisne, engendrando aos gemeus Castor e Pólux, e a Helena, cujo rapto por Paris iniciou a Guerra de Troia.

Espero que tenham gostado do post. Para quem quiser saber mais sobre as esculturas do Renascimento italiano, clique aqui. Caso queira obter maiores informações a respeito do Nu Artístico nas Belas Artes, clique aqui. Um abraço a todos!!!

2 comentários:

  1. Adorei Elizandro! Parabéns !Ótimos texto!e as imagens falam por si só...bjx :D

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  2. Gostaria de Elogiar seu Blog também sou um amante da arte renascentista......

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